Nos textos anteriores, nós comentamos acerca de algumas das tecnologias desenvolvidas e utilizadas no modo de cultivar, durante as últimas décadas. Uma das mais recentes – e polêmicas – ferramentas descobertas e aprimoradas é a transgenia.

Possibilitados, devido aos avanços na Biotecnologia, os vegetais transgênicos são organismos geneticamente modificados. Trocando em miúdos: pegaram uma parte do DNA de um ser e botaram em outro, diferente. O processo para se autorizar a produção e a comercialização de um transgênico é exaustivo, criterioso, severo e longo – o tempo médio é de 10 anos.

O Brasil tem a mais rigorosa legislação de biossegurança do planeta (ela que garante sua comida não ser assassina) e isso é um reflexo não apenas da preocupação, mas também dos números. De acordo com a EMBRAPA, a cada 100 hectares plantados no mundo, 80 são de sementes com genes alterados (soja) e para o milho são 30 (em 100). No Brasil, 92% da soja, 90% do milho e 47% do algodão são transgênicos.

Os benefícios são conhecidos: menor aplicação de agroquímicos, resistência à pragas, à seca, à doenças, maior acúmulo de nutrientes, custo de produção relativamente mais baixo, redução dos impactos ambientais, entre outros. Mas, apesar de toda a cautela, não é possível determinar, ainda, os prováveis pontos negativos.

O clubinho dos contras especula que, com o consumo contínuo de alimentos geneticamente modificados, aumente a probabilidade de aparecimento de substâncias que causam alergia ou se mostrem tóxicas, não sendo detectadas em testes preliminares, alterações profundas e definitivas em ecossistemas naturais, superpragas, daninhas resistentes e também a dependência econômica e comercial em relação aos grandes conglomerados que produzem e/ou utilizam os insumos e os transgênicos.

No entanto, o amplo consenso dos cientistas e do mercado a favor da tecnologia, está amparado na ausência de números consistentes que relacionem problemas de saúde humana ou animal, com a transgenia, e no sucesso da manipulação genética em suprir, à curto e médio prazo, necessidades agronômicas e ambientais.

Esse debate está longe de acabar, por estender-se à nuances éticas e até mesmo religiosas, onde constantemente profissionais são acusados de “brincar de Deus”. Não cabe a nós, nesse pequeno e resumido texto, darmos uma resolução aos conflitos tecnicos e ideológicos citados. Fato é que não há ninguém brincando de Deus. Não há ninguém brincando. Como Ele, estamos exercendo nossa natureza criadora mas, por não compartilhamos de Seu infinito conhecimento, nossa ciência tem fé de que, a longo prazo, sua criação não será má.

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