Agroquímico. Veneno. Pesticida. Defensivo Agrícola. Produto Fitossanitário. Biocida. A lista de nomes e apelidos atribuídos a esse indivíduo é enorme. Alguns, cheios de aversão, caracterizam-no como carrasco, pitando-o como vilão. Outros, menos depreciativos, suavizam-no a expressão, apresentando-o quase como amigável.

De fato, sabemos que a história do dito cujo não é bonita. Surgido após a Primeira Guerra Mundial e difundido pelos EUA e Europa após a Segunda, tem como um de seus vários pais o DDT, inseticida que hoje é amplamente proibido, utilizado no combate de carrapatos, pulgas, moscas e afins nos campos de guerra; o 2,5D, utilizado em campos de guerrilhas para desfolhamento da mata e o BHC, proibido no Brasil em 1985. Dividido em inseticidas, fungicidas, herbicidas, bactericidas e alguns outros “idas”, seu nascimento foi, ao contrário do que se pensa, carregado de um otimismo exacerbado.

 

Soldado sendo dedetetizado na Segunda Guerra Mundial com DDT – utilizado no combate de insetos e aracnídeos.

A indústria, o governo e os produtores comemoravam sob a perspectiva de expansão do mercado, movimentado principalmente, pelo potencial crescimento da produção agrícola, não mais comprometida com o ataque de pragas, doenças e plantas daninhas. Essa empolgação trazida pela Revolução Verde e seus lindos pacotes tecnológicos a partir da década de 50, fez com que a falta de informação e ausência de dados sobre as possíveis consequências (negativas), fossem, momentaneamente, negligenciados. Havia, dessa forma, uma facilitação no uso do nosso monstrinho Agroquímico, fomentada e subsidiada por exemplo, pela medida do Banco do Brasil que tornou obrigatória a destinação de 15% do valor dos empréstimos de custeio para a aquisição de agrotóxicos em 1970. Nas décadas subsequentes, porém, com a necessidade de se quantificar os montantes atrelados à produção agrícola, órgãos governamentais e os censos do IBGE começaram a quantificar índices relacionados à comercialização e números sobre intoxicação humana surgiam e cresciam. A partir de então, desenvolveu-se o chamado “manejo de aplicação” (trocando em miúdos: como criar o seu filho direito).

Atualmente, as grandes propriedades de produção intensiva e extensiva, e àquelas de pequeno e médio porte comprometidas com a sustentabilidade econômica e ambiental, seguem uma série infindável de regras. Isso porquê o desperdício e a utilização inadequada de defensivos, pode acarretar em prejuízo financeiro e comprometimento da cultura. Pode-se citar: a escolha adequada do equipamento, o cálculo correto da dose aplicada, período de carência do princípio ativo para que ele não chegue à mesa do consumidor, o alvo que se quer controlar e seu ciclo biológico, a rotação de produtos com diferentes modos de ação para evitar resistência, condições ambientais que não favoreçam a contaminação de áreas próximas e etc. Dessa forma, é preciso dizer: bom ou ruim depende veementemente da ótica pela qual olhamos. Antes de condenarmos esse nosso moço chamado Agrotóxico, nas próximas semanas discutiremos com mais profundidade a dualidade de sua personalidade.

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