Crítica do filme “Aquaman”

Por Tiago Nogueira

“Fantástico em estado líquido”

O desafio que a Warner/DC tinha em fazer o filme do herói que há até pouco tempo era motivo de piada por que falava com peixes – era grande, enorme, do tamanho do oceano. O estúdio e a editora teriam que se provar e chamaram um diretor que também teria que se provar nesse gênero, James Wan. O diretor é o rei do terror moderno, a mão que comanda os peculiarmente ótimos Invocação do Mal um e dois e o grandiloquente Velozes e Furiosos 7 é dele. Wan entrou no desafio com uma vontade frenética de ganhar.

Já havíamos sido apresentados ao Aquaman selvagem de Jason Mamoa em Batman v Superman – A Origem de Justiça e na própria Liga da Justiça, agora ele surfa a onda sozinho no seu filme solo. O começo conta a história de amor entre uma mulher das profundezas e um homem da superfície, desse romance nasce o mestiço Arthur Curry. Ele pertence a dois lugares: Atlântida e a Terra. Esse conflito é o mergulho na jornada do personagem e do longa. O homem peixe já tinha passado muito tempo com os homens, agora seria a vez de conhecer mais a fundo sua segunda casa.

Cada ato é um presente visual para o público. Não há medo de ser colorido, brilhante, escuro,  transparente, seco e molhado. As cenas são acompanhadas de uma fotografia focada que dá a veracidade de que sim, esse filme se passar embaixo d’água. A Atlântida do cinema e luminosa, moderna, viva e politica – o rei Orm (O meio-irmão corrompido de Arthur) tenta formar uma aliança com os sete reinos existentes nos oceanos para atacar a superfície que desagua sua poluição nos mares, contaminando os povos que vivem neles. A cena em que o oceano devolve todo lixo que as pessoas jogaram nele é perturbadoramente boa.

A direção rápida e suculenta de Wan transforma cada cena de ação em uma dança cruel, acelerada e às vezes lentamente assertiva. Você percebe a formação do diretor em cada tomada – ares de terror com suas criaturas assustadoras e desengonçadas, águas de ficção cientificada nas formas perfeitas das armaduras, armas e naves aquáticas dos povos do fundo. James Wan foi a escolha firme para comandar um que tinha que ser maleável – ação, comédia, aventura e drama familiar.

Patrick Wilson entrega um Mestre do Oceano diretamente saído das HQs, impecavelmente caracterizado, sisudo e focado. O Arraia Negra de Yahya Abdul-Mateen II é todas as gotas e tons da vingança. Com uma película sua, o Aquaman de Mamoa ainda é a mesma coisa boa e selvagem. Mesmo com tempo pra achar, a química entre ele e a Mera de Amber Heard ainda está perdida no fundo do mar. O restante do elenco atua nobremente.

Aquaman é um filme visual e de ação. É capaz de te deixar sem ar positivamente. Foi um mergulho profundo, encantador e maravilhoso, e por causa disso, o universo DC no cinema ainda respira.

Nota 8.5

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