Cinema em Imperatriz: conheça a história da sétima arte aqui na cidade

Texto: João Marcos

Cine Muiraquitã : Imperatriz, MA [Rua Urbano Santos] Foto: IBGE

A magia do cinema nunca mais parou de acontecer desde o dia 28 de dezembro de 1895 quando os irmãos Louis e Auguste Lumière realizaram a primeira exibição cinematográfica em Paris. Encantador e intrigante, os filmes, que mais pareciam fotografias vivas com seus movimento, acompanharam o desenvolvimento do áudio (em 1930) e por consequência a popularização das salas de cinema, dos movietheaters (em inglês) que foram construídas em muitas partes do globo.

Mais de cinquenta anos depois, com a chegada do cinema no Brasil em 1896, Imperatriz ganhou sua primeira sala para exibição de filmes no final da década de 1950, tudo por consequência do desenvolvimento trazido pela construção da rodovia Belém-Brasília, que além de sustentar a cidade em mercadorias, trouxe um maior fluxo de pessoas para a região. E assim, nascia o Cine Muiraquitã.

Fundado por Manoel Ribeiro Soares, o Cine Muiraquitã funcionava também como bar e lanchonete, além de local de shows. Hoje no antigo prédio funciona a Igreja Mundial do Poder de Deus.

Mas não parou por ai: no ano de 1967 nascia o Cine São Raimundo (nome em homenagem ao seu fundador, Raimundo Suagno de Brito) e no ano seguinte (1968-1972) surgiu o Cine São Luís, que funcionava de forma itinerante. Em 1972 veio o Cine Brasil, dois anos depois o Cine Fides, de Lourenço de Sousa (Léo), posteriormente o Cine Marabá, que a primeira exibição foi com o filme “O Preço do Poder!”. O sétimo foi o Cine Celimar, seguido do Cine Imperatriz. Por fim, Cine Timbira na década e 1990 e Cine Star, no Tocantins Shopping em 2011 e o Cine System no ano de 2012, no Imperial Shopping, ambos com a tecnologia 3D.

Mesmo com a presença de muitos cinemas durante a história da cidade, a produção cinematográfica ainda é um pouco tímida, mas que não deixou que apenas as películas vindas de fora tomassem todo o mercado. No ano de 2011, era lançado o filme “Renúncia: suas escolhas definem seu futuro”, de roteiro e direção de Lauran Lins.

O filme, de teor religioso, foi o primeiro a ser produzido pelas Assembleias de Deus em todo o Brasil. Contando a história de Nanda, uma garota que se perdeu de sua fé quando entrou na universidade, contou com um orçamento apertado: custou cerca de R$ 60 mil reais, fora a ajuda voluntaria de pessoas do elenco.

As cenas, todas gravadas em Imperatriz, mostram locais muito conhecidos pelos imperatrizenses, como a BR010 e a ponte Dom Affonso Felipe Gregory. Mesmo tendo gravado, mais de cem horas, apenas 84 minutos configuram o longa, que levou dois anos e sete meses para ficar pronto. A recepção do público foi a das melhores: todos os ingressos foram vendidos para a primeira exibição, em 23 de novembro de 2011, no Auditório do Palácio do Comércio.

No ano seguinte surgia “Renascer: ascendendo a chama outra vez”, de Lauran Lins, com partes gravadas no interior do Maranhão, em aldeias indígenas, recebeu duas estatuetas no 3º Festival Nacional de Cinema Cristão, no ano de 2012, nas categorias melhor maquiagem e melhor figurino de longa-metragem.

Mas longe dos holofotes e das premiers, existem obras estão mais independentes e foi exatamente no mesmo ano, 2012, surgia o “Supermerreka e o Poderoso Chefinho”, do pintor Raimundo Jovane, que hoje tem 54 anos. Não foram precisos milhões. O orçamento final não chegou na casa dos mil (foram gastos apenas R$ 800,00). O sucesso se deu porque o filme foi entregue aos pirateiros (homens que reproduzem filmes ou discos e revendem em feiras, por exemplo) e a partir daí muitas pessoas passaram a ver a produção feita de forma totalmente caseira.

O filme conta a história do Supermerraka, um herói bom diferente, que combate o mal de forma bem descontraída e que deve combater o seu arqui-inimigo, o Poderoso Chefinho. Uma das características marcantes é o regionalismo adotado nas falas dos personagens. Como quando Supermerreka é acionado por uma criança, pois a enquanto estava comendo uma rapadura, foi roubado por dois garotos maus.

Tímida ou não, a produção de filmes na cidade existe.  Além desses exemplos, mais e mais outras produções estão tomando espaço, ocupando lugares antes reservados apenas para super produções, longe de expressar a rica cultura não só de Imperatriz, mas de todo o Maranhão.

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