Resenha do filme “Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald” 

Por Tiago Nogueira

“Sair e chegar é importante, mas a estrada também importa.”

Nenhum autor consegue manter sua obra tão viva e latente quando J. K. Rowling, a autora de saga fenomenal Harry Potter. Sete livros, oito filmes – e essa divisão do último livro em dois (Relíquias da Morte Parte 1 e 2) inaugurou uma tendência para faturar mais em Hollywood, tanto que as sagas Crepúsculo e Jogos Vorazes também tiveram seus últimos exemplares partidos em duas partes cinematográficas.  Depois do sucesso extraordinário de sua obra, ela fez mais… No site Potter More, conta mais de seus personagens, mantém tudo vivo na mente dos apaixonados por qualquer A que escreve.

Todavia a tacada de mestre está na franquia Animais Fantásticos. Casar o passado com o presente é fácil, é tudo consequência, mas casar o presente com o passado, isso é fascinante! Nos livros do bruxinho têm personagens que são citados sutilmente, sobrenomes poderosos e outros que já começam velhos. Agora, A ideia, quando acende a lâmpada imaginaria de ouro acima da cabeça: então teremos cinco filmes que vão se passar em cinco países diferentes do mundo (fazendo o mundo ser parte do mundo que ela criou): Estados Unidos, França, Alemanha, Brasil e Espanha. Se antes era dos livros para o cinema, agora vai ser do cinema para os livros, ou seja, o roteiro de cada filme será lançado do formato livro. Vou contar a história que aconteceu antes, detalhar personagens, ver como foi a juventude de outros, vamos voltar… Gênia!

A Batalha Hogwarts é só a segunda Guerra Bruxa, houve uma primeira… Sai Harry Potter, entra Newt Scamander. Antes do vilão Voldemort tinha outro tão poderoso, do mal e perigoso quanto: Gellert Grindelwald.

Animais Fantásticos e Onde Habitam lançado em 2016 apresenta muito bem os personagens que vamos acompanhar, apresenta e fascina. US$ 814.037.575 milhões em bilheteria pelo mundo, coloca os Estados Unidos e seu ministério da magia, o MACUSA, no mapa bruxo.  Agora é a vez da França, da transição, da busca por identidade e escolha de lados. É a vez de Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald.

A ponte

Ninguém valoriza uma ponte como ela deveria ser valorizada. Só importa o lado que está e o outro que vai estar quando atravessar, mas você só atravessa porque tem a ponte, valorize. Os Crimes de Grindelwald é um filme ponte, que ajuda a história atravessar e mostra que o outro lado promete.

Depois dos eventos de Onde Habitam, o mocinho e o vilão da franquia estão presos – Gellert Grindelwald (Jonny Deep) na prisão do MACUSA e Newt Scamander (Eddie Redmayne) não pode sair dos EUA. Porém um bruxo e/ou Obscurial de interesse, que desperta interesse, Credence Barebone (Ezra Miller), foi pra Paris em busca de sua identidade verdadeira, isso leva todos pra França.

Muito Prazer. Acho que já te conheço.

Somos apresentados à Paris dos anos 20, o seu Ministério da Magia; um Alvo Dumbledore (Jude Law) jovem e melancólico e muito ligado ao vilão; Leta Lestrange (Zoë Kravitz) uma bruxa com dramas e segredos que tem um passado muito tocante com Newt; Callum Turner como Theseus Scamander, auror mais comprometido com a lei bruxa que com a família e Nagini (Claudia Kim), sim, a cobra de Voldemort antes era uma mulher com uma maldição.

A interpretação e/ou releitura que Law faz de Dumbledore é sutil, porém melancolicamente linda e inédita pra um personagem que julgávamos já conhecer todas as nuances. E a Lestrange (você conhece esse sobrenome) de Zoë é carregada de mágoa e de boa atuação fechada. A Nagini de Claudia tem muito a oferecer, mas ficou um agora não.

A travessia é assim

O inicio do longa é eletrizante, grandioso e líquido, mostrando uma evolução precisa nos efeitos. Depois o filme fica mais calmo pra mostrar uma parte importante para que uma sequência possa acontecer: motivações. Queenie Goldstein (Alison Sudol) quer se casar com Jacob Kowalski (Dan Fogler), um não bruxo, mas a lei não permite, esse querer deixa Queenie muito influenciável se alguém oferecer o que ela quer; Tina (Katherine Waterston) está Paris em busca de Credence, que é o personagem que leva o enredo e Newt está em busca de Tina.

O vilão de Deep mostra todo o seu carisma frio e sua ideologia, deixando claro o que quer, fazendo discursos sedutores, conquistando e influenciando outros bruxos que se identificam com suas ideias até que compreensíveis. Tentando a todo custo trazer o obscurial Credence para o seu lado, até oferecer o que ele mais quer: identidade.

A Paris bruxa é tão encantadora quanto à Nova York e a já conhecida Londres. Seu cenário ajuda na revelação de pistas do próximo passo, as próximas viagens.

O clímax chega em forma de discurso com apresentação de imagens perturbadoras, com demonstração de poder de ataque e defesa – uma reunião pra todos decidirem seus lados, um orador que mostra a parte má dos humanos e o quanto, sem magia, podem ser perigosos para os bruxos.

No final, um segredo explode e, mostra o quanto a ponte era importante, atravessa-la. Agora vamos confrontar o que nos aguarda no outro lado.

Carregar mais

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Veja Mais

Caninana é atração principal da Vaquejada Haras HotBel

De 19 a 22 de setembro Imperatriz recebe a segunda edição da Vaquejada Haras HotBel. Consi…