Afinal, castração animal é mutilação?

Texto: Gabriela Calza

Para conscientizar a população e desmistificar todo o preconceito que há em torno da castração, a veterinária Carolina Rocha, mestre em comportamento animal, traz explicações no que diz respeito ao falso conceito de mutilação do animal e também à violação de escolha dele em procriar. “Há milhares de anos, os cães e gatos foram domesticados. Todas as escolhas desses animais são feitas pelo tutor, seja na alimentação, no estilo de vida e inclusive, sobre ter ou não filhotes”, afirma.

A veterinária destaca que não se trata de mutilação, se o procedimento é realizado de modo correto, com profissionais capacitados, toda a higienização, esterilização, analgesia e os cuidados pós-operatórios necessários. “A cirurgia em nada tem a ver com maus tratos, ao contrário, evita enfermidades e a superpopulação de animais nas ruas”, completa. Abaixo ela lista mais detalhes:

Principais benefícios da castração

Para a sociedade

  • Alternativa mais adequada para o controle populacional de animais abandonados e é claro, para a saúde e bem estar dos bichinhos. Segundo a veterinária, o número de cães e gatos em situação de abandono no Brasil não é exato, mas está próximo dos 30 milhões, que não têm alimentação, cuidados com a saúde, proteção, moradia e até sofrem abusos;

  • Diminuição da incidência de doenças transmitidas de animais para humanos, como a raiva.

Para todos os cães e gatos

  • A expectativa de vida do animal aumenta, alguns estudos apontam que animais castrados vivem cerca de 10 ou 15% a mais, do que os não castrados;

Nos cães machos

  • Evita tumores nos testículos, diminui a incidência de câncer de próstata e problemas urinários;

  • Diminui as chances de contrair o TVT (tumor venéreo transmitido), propagado durante o coito com animais já infectados;

  • Diminuição da marcação de território (urinar em vários lugares da casa), isso quando o procedimento é feito com o animal ainda jovem.

Nas cadelas

  • Diminui os índices de doenças transmitidas por meio do coito (cruzamento entre animais), protege da “piometra”, infecção no útero comum naquelas que não passaram pelo procedimento. A prática de castrar também impede tumores de mama e infecções uterinas.

Nos gatos de ambos os sexos

  • Diminuição da incidência do vírus da imunodeficiência felina (AIDS felina), transmitida por meio de mordidas e arranhões de animais portadores do vírus, que em geral são ocasionados por brigas nas ruas. Quando castrados, eles tendem a sair menos de casa e ficam mais calmos.

Nas fêmeas (cadelas e gatas)

  • Ausência do cio, que levaria à irritabilidade nas cachorras e miados intensos durante à noite para a gatas.

Quando castrar?

O ideal é que a castração seja feita antes do animal alcançar a maturidade sexual. Nos cães machos, por exemplo, antes dos seis meses, tendo a certeza de que os testículos já desceram até a bolsa escrotal, essa certificação é fundamental, pois quando o filhote macho é muito novo, os testículos ficam localizados na cavidade abdominal. Nas fêmeas, a castração deve ser efetuada antes do primeiro cio. “Existe um mito de que devemos deixar a cadela ter o primeiro cio, por causa do desenvolvimento, mas não há necessidade. Falamos cada vez mais sobre a castração precoce, então, com 3 ou 4 meses, as fêmeas já podem ser operadas”, detalha.

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