Colecionadores de Imperatriz: conheça a arte de colecionar

Cartões de visita, carrinhos antigos e fotos 3×4: conheça três coleções e entenda mais sobre o Colecionismo

O colecionador Henrique Luz Scheid, 42 anos, pegava os seus carrinhos com muito cuidado enquanto as pessoas passavam e paravam curiosas, no 3º Encontro de Colecionadores de Carrinhos em um shopping na cidade de Imperatriz, no dia 2 de junho deste ano. “Coleciono miniaturas de automóveis e monto, construo as miniaturas. Elas vem desmontadas, você tem que montar, pintar e passar o verniz”, explica Scheid diante da mesa cheia de carrinhos.

“Eu já nasci apaixonado por automóveis,” afirma o administrador Henrique Scheid.

O ato de colecionar já está presente na vida de Scheid desde quando ele era criança. Antes de ser administrador de empresas e professor universitário, sempre foi apaixonado por carros. Começou a colecionar seus primeiros exemplares com apenas 12 anos.  A primeira peça veio da Inglaterra, comprado pelas mãos de um comissário de bordo. Hoje, ele tem cerca de 300 dos minicarros, com maior interesse na linha Matchbox (linha de miniaturas que acabiam em uma caixa de fósforo). “Eu tenho 42 anos e sou apaixonado por automóveis desde criança. Mas comecei a colecionar na adolescência, parei e retornei a pouco tempo” afirma.

Coleção de Henrique Scheid, que tem por preferência os carrinhos da Matchbox.

Enquanto uns colecionam carrinhos, selos e moedas antigas, o administrador Geraldo de Sousa, 32, tem mais de 1600 cartões de visita além panfletos. “Os cartões sempre me chamaram atenção e comecei a guardar um, dois, três… tenho vários porta-cartões”, conta e ainda ressalta que há mais de 10 anos vem guardando suas peças e mesmo que a esposa já ter pedido para ele jogar tudo fora, afirma “Não é doidice, é paixão.”

Outro neste mesmo caminho está o atendente de telemarketing George Lucas Pereira Correia, 20, que por mais estranho que seja para os outros, como ele mesmo afirma, coleciona fotos 3×4 há mais de cinco anos. “Começamos a confeccionar carteirinhas de estudante (no ensino médio) e recolhemos muitas fotos 3×4 e foi quando percebi o quão interessante é a foto. É engraçado. Comecei a guardar fotos dos meus amigos, como uma brincadeira”, relembra.

Geraldo de Sousa exibe orgulho a sua coleção de cartões de visita.

Mas aquilo que era apenas uma descontração, virou um hobby. Hoje ele tem cerca de 47 fotos e deseja aumentar ainda mais a sua coleção. Sua peça mais antiga e a mais importante é que pertenceu ao seu avô paterno. “A foto é da época de quando ele tinha cinco anos de idade, antes dos tantos cabelos brancos que tem hoje. E já está um tanto envelhecida,” diz Pereira.

Mas, por que colecionar?

Coleção de George Lucas.

De acordo com uma pesquisa Coleções e colecionadores: compreendendo o significado de colecionar de 2016, desenvolvida pelos doutores em psicologia, Adriano Furtado Holanda, Josemar de Campos Maciel (PUC-Campinas) e o mestre Douglas Fernando Henrique de Oliveira (Universidade Federal do Paraná), feita com 15 colecionadores de carrinhos Matchbox, as razões vão muito além de apenas o desejo de ter, sendo o caminho contrário do consumismo.

Para eles, os objetos não tem apenas o valor mercadológico, o qual pode ser comprado e revendido para outro colecionador ou valor de troca, mas sim, cada peça conta e faz parte da história de cada colecionador, como foi o caso de Scheid, que foi incentivado a gostar de carros e descobriu sua paixão na época em que sua mãe lhe presenteava revistas “Quatro Rodas” ou quando seu pai o levava em uma concessionária de carros.

A pesquisa afirma que existem seis fatores que formam um colecionador: (1) os objetos possuem afeto, (2) são organizados por tema, (3) são ordenados, (4) o colecionador tem conhecimento sobre suas peças ou o que elas representam, (5) a atividade é prazerosa (6) e não prejudicial à saúde do indivíduo (no caso do inverso do colecionismo, como a Síndrome de Diógenes, por exemplo).

A maneira de como o colecionador é visto pelos outros também influencia na visão geral sobre o colecionismo. Ás vezes carrega uma carga negativa, como sempre mostrada na mídia, com programas que mostram a vida de pessoas que sofrem de TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo) ou apenas um sentimento de estranheza, dependendo do que se colecionada. Como relata Pereira, que coleciona fotos 3×4. “Sinceramente, a maioria acha bem estranho. Quando eu peço, já é algo estranho. Quando eu mostro as fotos então, as pessoas se assustam. Perguntam o motivo, o que eu quero fazer com elas, me chamam de louco. Mas também tem as pessoas que acham interessante e até gostam da minha pequena coleção de fotos.”

Em uma sociedade consumista, a pesquisa chegou ao resultado de que o colecionismo vai na contramão estressante que o mundo moderno tem vivido, pois funciona como uma “válvula de escape” saudável. Diferenciando muito bem uma compulsão de uma paixão, como relata o colecionador Scheid: “O colecionismo em geral, seja de miniatura de automóveis, seja de selo que se chama filatelia, seja de moeda que se chama numismática, ou de objetos antigos. O colecionismo aumenta seu círculo de amizade, te leva a fazer pesquisa para saber o valor histórico do item. É uma grande terapia.”

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