Filme do Mês: Frank

Texto: Yanna Duarte @maisqueomeucorpo

Frank é um filme indie – termo utilizado para caracterizar filmes independentes de baixo orçamento e que não são distribuídos pelos grandes estúdio de Hollywood –, lançado em 2014 e que conta a história de uma banda muito excêntrica e estranha, onde o vocalista se chama Frank (vivido por Michael Fassbender) está sempre usando uma cabeça de boneco. O filme é levemente inspirado em um personagem cômico chamado Frank Sidebottom.

A história é narrada pelo aspirante a músico Jon Burroughs, que sonha em compor grandes obras e ter sucesso. Ele tenta escrever suas canções a partir da observação do cotidiano e de pessoas, no entanto, nunca consegue terminá-las ou ser criativo, trabalhando em uma empresa enquanto seu sonho ainda engatinha. Um belo dia, ele consegue uma vaga de tecladista em uma banda que está de passagem pela sua cidade, onde o vocalista se chama Frank e está sempre usando uma cabeça de boneco. A partir daí, a vida de Jon muda radicalmente.

Ele entra em uma aventura de composição de um novo disco da banda e larga seu emprego e família. Maravilhado pelo estilo espontâneo e intrigante de Frank, ele começa a documentar seus dias na banda e ter um sentimento de que as coisas vão, enfim, dar certo. Para Jon, Frank é um sujeito estranho mas ao mesmo tempo genial, por ter uma personalidade bastante única e inteligente. Assim como Frank, os outros integrantes da banda são impulsivos, diferentes e possuem algum tipo de problema mental.

Ao longo do filme, nos é mostrado a dinâmica familiar e natural do grupo. Todos eles, exceto Jon, possui algum problema ou foi internado em uma instituição psiquiátrica. Desestabilizados ou não, algo que não se pode negar é o talento nato que eles têm. Sem ligar para o que pensam ou para a aprovação de terceiros, a banda cria seus próprios instrumentos e letras que, aparentemente, não segue nenhuma lógica.

Inteligente e com uma carga bem dosada de drama e comédia, Frank é com certeza uma das figuras mais intrigantes do filme. É um cara que usa uma cabeça de boneco até pra tomar banho – mas que não é um psicopata nem alguém “normal”, no entanto, tem certa vulnerabilidade e possui uma incrível sensibilidade quanto a vida e a arte.

Ele é o espírito da banda, a quem todos admiram e confiam. Seus métodos são bastante perfeccionistas e suas letras vêm de inspiração das pequenas coisas, similar ao jeito de Jon, mas único. Embora em quase uma hora e quarenta minutos de filme você veja a cara de Frank apenas por poucos minutos, o personagem de Michael Fassbender não economiza em dizer como se sente através de suas expressões corporais e reflexões sinceras, que saem de sua boca tão naturalmente quanto o jeito do Frank de ser.

A problemática chega com a tentativa de Jon em querer transformar esses excêntricos integrantes em uma banda famosa. Assim como Frank, eles desejam apenas fazer uma boa música – aí entra uma questão subjetiva, o que é bom e o que é ruim? O que é arte? – e performar seus diferentes jeitos de ser no palco.

Frank é um filme diferente que te ganha pela simpatia e loucura dos personagens, especialmente do próprio Frank. Rotulado como uma comédia, é preciso estar atento e sensível à história, que se mostra mais que isso. No longa, a música serve como uma espécie de terapia, um abrigo seguro e confortável para os problemas mais profundos que nós podemos enfrentar, e, no fim, acaba ajudando os personagens a se sentirem mais confortáveis consigo mesmos.

Disponível na Netflix.

Série do Mês: Lovesick

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